O excesso de zelo ou de desprezo no atendimento

Restaurantes

Todas as empresas querem e necessitam criar diferenciais de atendimento, buscando encantar e fidelizar cada vez mais os clientes. Falando hoje especificamente de restaurantes, bares e padarias, alguns cuidados precisam ser observados e corrigidos urgentemente.

Várias pessoas de todas as partes frequentam restaurantes, padarias e bares, e como eu, reclamam muito de algumas práticas de garçons, atendentes e até gerentes destes estabelecimentos, que os incomodam muito.

Quem já não passou por uma situação onde você termina sua refeição, estando sozinho ou não, e o garçom vem e começa a retirar tudo da mesa, inclusive copos com bebida ainda dentro, e sem falar que ele fica a todo o momento em cima do cliente deixando o mesmo incomodado.

Esta situação é muito chata e pode ser interpretada de três formas, que podem ocorrer juntas ou separadas. O primeiro fato é a casa estar cheia e os garçons e gerentes tem pressa que o cliente saia logo, para poder acomodar ali outro cliente que está na fila de espera, então ele fica a todo momento ao lado da sua mesa apressando suas respostas para que os pedidos venham logo e você vá embora logo, e quando você termina. ele já começa a retirar tudo, como dizendo ao cliente, “chega por hoje tem mais gente na fila”, esta situação refere-se a um atendimento péssimo, sem o mínimo de respeito e comprometimento com o cliente, onde fica claro que na verdade ele é visto neste estabelecimento como um número, bom atendimento e fidelização zero, com certeza estes clientes não voltam e vão criticar o estabelecimento para várias pessoas, podendo inclusive, usar as redes sociais para isso, onde os resultados são rápidos e devastadores.

O segundo fato pode ser devido a um zelo excessivo no atendimento, querendo que o cliente seja bem atendido, que tudo corra de forma rápida para que o cliente sequer tenha que chegar a pensar que os pedidos vão demorar, ou ainda que as pessoas vão demorar a atendê-lo, estes garçons começam na verdade deixar os clientes sufocados e irritados, pois estão em um momento de refeição, por isso querem curtir este momento com a(s) companhia(s) ou até mesmo sozinho, com calma e tranquilidade, claro que muitos estão ali no horário de almoço do seu trabalho e tem pressa para retornar, porém uma outra boa parte está fazendo reunião de negócios, fazendo um happy-our ou até usufruindo daquele momento com a família para relaxar, por isso, o bom atendente, no caso o garçom e/ou o gerente precisam aprender a saber respeitar o tempo do cliente, fique próximo, não sufocando, atento e não em cima, seja rápido, não apressado, seja cordial e educado, não atropele as etapas.

Já no terceiro momento, isso pode ocorrer porque já está na hora do garçom ir embora ou da casa fechar, então começam a pressionar o cliente para ele ir embora logo, dando a nítida impressão que está sendo dito ao mesmo: “você não se toca, preciso ir embora”. Claro que as pessoas precisam ir embora e tem suas responsabilidades fora dali, mas o cliente não tem culpa, isso precisa ser resolvido internamente para que não haja prejuízo a quem está pagando, que no caso é o cliente, para o colaborador, que tem seu compromisso particular e nem para a empresa que fatura menos, e lá na frente pode deixar de faturar, basta este cliente ou clientes não voltarem.

Uma certa vez fui com minha noiva a um café famoso aqui em São Paulo, onde ficamos consumindo e conversando por um bom tempo, quando de repente fomos tocados dali pela garçonete, como estávamos do lado externo, falamos se não podíamos ficar um tempo a mais na parte interna da casa, foi dito que não, porém ao passarmos por dentro da casa para pagar a conta, notamos que haviam ali cerca de 7 mesas ainda ocupadas, foi uma experiência péssima.

Mesmo tendo vivido esta péssima experiência, resolvemos voltar ao estabelecimento em outra oportunidade, mas bem mais cedo para evitar o risco de sermos tocados novamente, porém enfrentamos outros problemas, fizemos os pedidos e só veio uma parte, as bebidas não vieram, depois de um longo tempo resolvemos perguntar sobre nossas bebidas, estavam lá prontas, “apenas” esqueceram de trazer. Não tive dúvidas, encaminhei um e-mail para a casa relatando os seguidos problemas, chegando até a oferecer meus serviços de consultor para ajudá-los a melhorar o atendimento na casa. Adivinhem o que aconteceu? Isso mesmo que vocês pensaram, não recebi nenhuma resposta, encaminhei o e-mail 3 vezes e em nenhuma das 3 fui atendido, cheguei a conclusão que o problema vem de cima. Em resumo, nunca mais voltei lá e nem indiquei para as pessoas.

Lendo este post, podemos fazer diversas reflexões e chegar a diversas conclusões. Desta forma, você proprietário e colaborador, você e/ou seu estabelecimento se encaixa em algumas destas situações? Se não, você está de parabéns, têm diferenciais para agradar um cliente e fidelizá-los. E você como cliente, continua ou vai continuar gastando seu dinheiro suado nestes estabelecimentos? Façam valer seus direitos, concorrentes não faltam. Pensem muito bem nisso.

Muito Obrigado,

Um grande abraço.

Author: carlospires

Profissional graduado em Administração de Empresas pelo Centro Universitário da FEI e Pós Graduado em Gestão Estratégica de Pessoas pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Experiência de 28 anos em atendimento ao cliente, sendo 21 anos em cargos de liderança, com forte atuação na Gestão dos Indicadores de Performance, Back-Office, Monitoria, SAC e Cobrança, atuando em empresas nacionais e multinacionais do segmento de call center e administração de cartão de crédito . Atuação junto aos segmentos varejistas em grandes lojistas. Responsável pela gestão de pessoas, processos e clientes, atuando em áreas operacionais e comerciais, com orientação para resultado. Conhecimento na gestão e implantação de Contact Center e Comercial Pós Venda, atuando no desenvolvimento de projetos, revisões de scripts operacionais, dimensionamento, implantações de novos clientes e produtos, liderando projetos de eficiência operacional, obtendo ótimos resultados em redução de despesas. Experiência em gestão e gerenciamento de crises nas redes sociais. Planejamento e preparação de treinamentos de atendimento, liderança, gestão e produtos. Ministrou e ministra diversos treinamentos referente aos temas acima citados. Participação na implantação e validação no processo da ISO 9000/9001. Palestrante no CRA-SP – A importância do atendimento ao cliente.

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2 Comments

  1. Ola Carlos, gostaria de abordar o fato do Cliente que nao observa o horário de fechamento do estabelecimento e resolve fazer sua compra de mês, ou orçamento de um planejado para o apartamento inteiro , 5 minutos antes do fechamento do estabelecimento. Tanto na Europa, ou EUA, Canadá , os estabelecimentos encerram suas atividades no horário publicado nos estabelecimentos , mesmo se você estiver na fila do caixa. Podemos considerar que respeito deve acontecer entre as duas partes. É uma escravidao remunerada? Existe uma alternativa para esta situaçao?

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    • Vanice, bom dia!
      Muito obrigado pelo seu comentário muito oportuno e coerente. Espero encontrá-la mais vezes em nosso blog colaborando com suas opiniões, ideias e sugestões. Referente a sua pergunta se existe uma alternativa para a situação colocada, posso dizer que as alternativas passam por mudança de cultura, algo que leva tempo, ou mudança de hábito por parte dos estabelecimentos, onde podem fechar uma hora antes por exemplo, pois se o cliente ainda ficar lá dentro, sairá na hora certa do funcionário. Mas são alternativas que hoje não condiz com a realidade cultural do nosso país e dos clientes. Muito obrigado. Abraços.

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