O Cliente está Perdido e Abandonado

preocupada

O decreto do Serviço de Atendimento ao Consumidor, conhecido como a Lei do SAC, vai completar seis anos em julho deste ano sem comemorar grandes avanços. Quase nada mudou, ou seja, tentar resolver um problema com a empresa pelo telefone, ainda é uma questão de desrespeito e teste para os nervos dos clientes. São diversos números de protocolos, dificuldades para falar com os atendentes, com os líderes, e tudo isso, para na grande maioria das vezes, não ter o problema solucionado.

As reclamações nos Procons do Brasil inteiro não param de crescer. Entre as principais queixas estão a dificuldade de cancelamento, não solução de problemas e a péssima qualidade do atendimento.

O que mais deixa os Procons indignados, é a dificuldade das empresas em seguirem as determinações, deixando a “Lei do SAC” à deriva, e os clientes sempre irritados e pior, sem solução.

As empresas tinham que estar seguindo as normas à risca, mas isso está longe de acontecer. Infelizmente a “Lei do SAC” não pegou somente pela falta de cultura do empresariado brasileiro em cumprir a legislação existente, mas também por não existirem órgãos efetivos que os façam não só cumprir a “Lei do SAC”, mas também todas as leis que envolvem o consumidor brasileiro, como o código de defesa do consumidor.

Infelizmente as empresas “nadam de braçada” contra os clientes, enrolam, desrespeitam, infringem as leis, e nada de grave acontece com elas, como sempre, o maior e único prejudicado é o cliente.

O cliente no Brasil infelizmente está perdido e irritado, pois não sabem mais o que fazer e a quem recorrer. O PROCON não tem o poder de punir a empresa e fazer valer as leis, só chega a uma determinada etapa e não resolvendo, indica ao cliente entrar no Tribunal de Pequenas Causas se for o caso, lá, a resposta também pode demorar. Se valendo disso tudo, as empresas desafiam inúmeros clientes a procurar a esfera jurídica, prestando um péssimo serviço.

Para atrapalhar ainda mais a vida dos consumidores brasileiros, não existem também facilidades para se abrir uma reclamação, na maioria dos PROCONS há necessidade da presença do cliente, com isso, ele precisa perder pelo menos meio dia de trabalho, só para abrir a reclamação, o mesmo ocorre nos tribunais. O site Reclame Aqui disponibiliza seu site para serem abertas as reclamações dos clientes consumidores, porém, vale mais como uma medida de divulgação negativa para as empresas, não havendo também nada mais rígido no sentido de punição.

A mídia de forma geral também não tem um espaço para debater e levantar estas questões, desta forma, o cliente consumidor brasileiro, mesmo com um código ao seu lado, se sente totalmente perdido e abandonado na questão de fazer valer seus direitos, com isso, são passados para trás, chegando inclusive a serem feitos de “palhaços” em determinados momentos.

Precisamos urgentemente debater isso de uma forma mais ampla, criar órgãos que de fato tenham poder de punição as más empresas de uma forma rápida e exemplar, e que seja de fácil acesso ao cliente consumidor no sentido de abrir suas reclamações sem grandes deslocamentos e perda de tempo.

Divulgar listas de empresas que desrespeitam os clientes e as relações de consumo é um fator importante para alertar a todos, mas não resolvem nem de perto os problemas, pois o consumidor brasileiro não tem a cultura de “boicotar” as empresas que não cumprem as leis, como em países mais desenvolvidos.

Encaminhei mensagens ao PROCON, ao Celso Russomanno e ao IDEC no intuito de fazer uma entrevista com eles e debater algumas alternativas para este verdadeiro caos na relação consumidor/empresa, mas até o momento não recebi nenhuma resposta. Mas vou continuar tentando, afinal é um tema de fundamental importância e que não pode ser deixado de lado.

Você percebe também que esta relação consumidor/empresa tem piorado? Acha que de fato existe desrespeito e descaso das empresas para com os consumidores? Acham que o tema merece mais rigidez por parte das autoridades?

Um grande abraço a todos!

Author: carlospires

Profissional graduado em Administração de Empresas pelo Centro Universitário da FEI e Pós Graduado em Gestão Estratégica de Pessoas pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Experiência de 28 anos em atendimento ao cliente, sendo 21 anos em cargos de liderança, com forte atuação na Gestão dos Indicadores de Performance, Back-Office, Monitoria, SAC e Cobrança, atuando em empresas nacionais e multinacionais do segmento de call center e administração de cartão de crédito . Atuação junto aos segmentos varejistas em grandes lojistas. Responsável pela gestão de pessoas, processos e clientes, atuando em áreas operacionais e comerciais, com orientação para resultado. Conhecimento na gestão e implantação de Contact Center e Comercial Pós Venda, atuando no desenvolvimento de projetos, revisões de scripts operacionais, dimensionamento, implantações de novos clientes e produtos, liderando projetos de eficiência operacional, obtendo ótimos resultados em redução de despesas. Experiência em gestão e gerenciamento de crises nas redes sociais. Planejamento e preparação de treinamentos de atendimento, liderança, gestão e produtos. Ministrou e ministra diversos treinamentos referente aos temas acima citados. Participação na implantação e validação no processo da ISO 9000/9001. Palestrante no CRA-SP – A importância do atendimento ao cliente.

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2 Comments

  1. Sem dúvida Carlos, passou da hora de se estabelecer uma ação reguladora no que diz respeito ao cumprimento dos Direitos do Consumidor. Eu só vejo uma forma de solucionarmos esse problema. Darmos ao Procon o caráter e o poder de uma Agencia Reguladora, de forma que esta possa aplicar multas e outras sanções à empresas que não cumprem a Lei.

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  2. Olá, bom dia.
    Muito bom o artigo. É verdade quando o senhor fala sobre a Lei do SAC, as empresas tem conhecimento do assunto, mas não repassa aos seus funcionários. Trabalhei numa empresa de atendimento receptivo e nunca eles comentaram ou deram um treinamento sobre o assunto, após seis meses fiz processo seletivo para instrutoria de treinamento, permaneci sem ter conhecimento, só após ser desligado da empresa é que estou descobrindo e lendo sobre artigos, que diz respeito a “profissão” de teleatendimento.
    Obrigado.
    P.S.: Por gentileza informe-me sites que trata das incumbências da profissão de teleatendimento, tenho interesse em me aprofundar na temática.

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