A Copa do Mundo deixará algum legado para o Brasil?

Copa

Faltando menos de três meses para o início da Copa do Mundo, o Brasil continua tentando driblar percalços, como atrasos nas obras de estádios e infraestruturas. Como se já não bastasse tudo isso, também está sofrendo com a desconfiança da imprensa internacional e da nossa própria população, onde existe uma boa parte contra a realização do evento no Brasil.

Escolhido em 2007 para realizar a Copa do Mundo de 2014, o Brasil teve 7 anos para se preparar, porém, como se era esperado por nós, foi tudo deixado para a última hora. Em 2010, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse: “A Copa será uma grande oportunidade para acelerar o crescimento e fundamental para o desenvolvimento do nosso Brasil”. Porém não é nada disso que estamos vendo, como se não bastassem as tragédias humanas, o país também apresenta um desempenho questionável no que diz respeito aos gastos para garantir a infraestrutura para a Copa. A metade deles já foi entregue, sendo que uma boa parte não em 100% e o restante está na luta para cumprir o prazo estabelecido pela FIFA. Mas como sempre, quando se fala em gastos, o Brasil já bateu a soma do que a África do Sul e a Alemanha desembolsaram para os dois últimos Mundiais.

O valor gasto para reforma ou construção dos 12 estádios chega a 8 bilhões de reais (3,4 bilhões de dólares), segundo levantamento do Sindicato Nacional de Arquitetura e da Engenharia (Sinaenco), que conta com correspondentes nas 12 cidades-sedes e realiza acompanhamento mensal de projetos ligados à competição. Segundo o Portal Uol divulgou dia 19/03/14, O Tribunal de Contas de Brasília, estima que o governo de Brasília gastou R$ 1,9 bilhão para erguer o Estádio Mané Garrincha, o mais caro estádio da Copa. Se gastasse esse dinheiro para montar um time no esquema tático 4-4-2, teria verba para comprar, pelo valor de mercado, 92% do time mais caro possível do planeta. Imaginem então quantas escolas, hospitais e etc., seriam construídos e bem administrados com todo este dinheiro.

A Suécia, pensando no bolso do contribuinte, fez questão de informar que Estocolmo desistiu de tentar ser sede dos Jogos Olímpicos de Inverno em 2022. Pois é, em votação realizada entre os partidos políticos em Janeiro, e com o apoio até do prefeito da cidade de Estocolmo, os suecos optaram por não se candidatar à disputa para receber o evento. Os argumentos? Simples, a cidade tem prioridades mais importantes, e a conta para organizar os jogos seria alta demais, e um eventual prejuízo, teria que ser coberto com dinheiro público. Estariam eles errados e nós corretos? Boa pergunta.

Aqui no Brasil muito se falou e ainda se fala, sobre o legado que a Copa do Mundo iria deixar ao país, mas até agora o que estamos vendo são gastos estratosféricos em estádios. Nada mais fora isso. As obras de mobilidade urbana, a grande reforma e modernização dos aeroportos, as obras de infraestrutura, até em trem bala ligando São Paulo ao Rio de janeiro foi comentado, porém, tudo não saiu do papel e foi como sempre, promessa não cumprida.

A experiência africana, onde foi realizada a última Copa do Mundo foi classificada “um sucesso” pela FIFA e pelo governo local, e passou longe de ser o fracasso que todos previam. Enganação e “historinha para boi dormir”, quem teve lucro e sucesso de fato foi a FIFA. A FIFA viu o seu lucro com o Mundial de 2010 na África do Sul aumentar 48% em comparação com a Copa de 2006 realizada na Alemanha. Na África do Sul, a dona da Copa arrecadou R$ 8,9 bilhões. Descontadas as despesas, o lucro final foi de R$ 4,9 bilhões.

Assim como no Brasil, na África do Sul o governo bancou a maior parte dos investimentos para a realização do torneio. A expectativa do governo africano na época era de que o torneio representaria um acréscimo de 3% no PIB (Produto Interno Bruto) do país. Segundo o diretor da Human Sciences Research Council, Udesh Pillay, um dos principais institutos de pesquisa da África do Sul, a meta não se confirmou, e o acréscimo no PIB foi de no máximo 0,3%, o que está muito, mas muito longe de ser um valor significante pelos gastos feitos, ou seja, um prejuízo grande. Onde está o legado?

Outro fato problemático é que a Copa do Mundo praticamente para o país, pois além de termos possíveis feriados em dias de jogos do Brasil, devido a problemas de mobilidade, nos jogos dos outros países também deve haver feriados nas cidades sedes. Sem falar que o fator Copa do Mundo inibe a organização de outros eventos no mesmo período no país. Congressos, feiras e até viagens de férias são adiadas ou canceladas durante o tempo em que o torneio é disputado.

As arenas de Brasília, Cuiabá e Manaus devem sofrer com algo que cinco novos estádios construídos para a Copa do Mundo da África do Sul vivem desde 2010, o prejuízo, pois por não existirem times fortes na cidade, eles não disputam os principais campeonatos do país, dessa forma não levam grande público aos estádios, logo estes, vão virar verdadeiros elefantes brancos.

Segundo Patrick Bond, diretor da Universidade de KwaZulu-Natal, em Durban, os indicadores sociais não melhoraram. “O que temos é um retrato mais bonito”, opina o economista. “A taxa de desemprego segue acima de 25%”.

Apesar da melhora na imagem, a África do Sul sentiu na pele o que é ser vidraça. Registros de assaltos em hotéis onde estavam hospedados jornalistas viraram notícia em todo mundo. Aqui vai ser diferente? Como está nossa segurança? A segurança no Brasil tem sido um outro tema muito explorado pela imprensa internacional.

Achar que a Copa do Mundo vai impulsionar a economia é um mito. Segundo o jornalista britânico Simon Kuper, autor de Soccernomics, escrito em parceria com o economista britânico Stefan Szymanski. “Sediar uma Copa do Mundo não traz nenhum legado econômico. Se você quer impulsionar a economia com o dinheiro do povo, que paga impostos, é melhor investir em escolas e hospitais”.

Em entrevista recente, a nossa Presidente Dilma Rousseff disse que a Copa não será apenas um evento esportivo. “Será um evento esportivo, sim, esse é o principal aspecto da Copa, mas também é uma oportunidade do Brasil se mostrar ao mundo, mostrar a força e a vitalidade da nação brasileira”, afirmou ela, que chama o evento de Copa das Copas.

Cada um tem sua opinião sobre a realização da Copa do Mundo no Brasil, eu não sou contra a realização da Copa, gosto de futebol e tenho certeza que o esporte como um todo é muito saudável e traz benefícios a todas as pessoas, porém, defendo o chamado pé no chão. Um país que não consegue dar educação, saúde, segurança, moradia e segurança digna a sua população, não pode pensar em fazer uma Copa do Mundo, e para piorar, vamos realizar Olimpíadas também. É muito dinheiro sendo gasto em um período muito curto, enquanto outras prioridades essenciais estão sendo deixadas de lado.

Um país não se torna mais rico ou fica economicamente estável realizando uma Copa do Mundo e/ou olimpíada, pelo contrário. Vamos torcer para que a partir de 2017, as coisas fiquem bem, pois não será fácil cobrir todos estes rombos financeiros e econômicos.

Antes que alguém critique, dizendo que somos pessimistas, quero afirmar que isso não tem nada a ver com pessimismo e/ou torcer contra, apenas estamos expondo fatos que são reais, e não precisa ser nenhum grande estudioso para enxergar que estamos próximos de passar muita vergonha nesta Copa como organizadores, não como Seleção de Futebol.

Sinceramente, você acha que esta Copa do Mundo deixará algum legado para o Brasil? Como será a vida do brasileiro após da Copa do Mundo? Precisamos parar de fazer festa para esquecer os problemas. Tudo tem seu tempo certo. Pensem nisso.

Um grande abraço a todos!

Author: carlospires

Profissional graduado em Administração de Empresas pelo Centro Universitário da FEI e Pós Graduado em Gestão Estratégica de Pessoas pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Experiência de 28 anos em atendimento ao cliente, sendo 21 anos em cargos de liderança, com forte atuação na Gestão dos Indicadores de Performance, Back-Office, Monitoria, SAC e Cobrança, atuando em empresas nacionais e multinacionais do segmento de call center e administração de cartão de crédito . Atuação junto aos segmentos varejistas em grandes lojistas. Responsável pela gestão de pessoas, processos e clientes, atuando em áreas operacionais e comerciais, com orientação para resultado. Conhecimento na gestão e implantação de Contact Center e Comercial Pós Venda, atuando no desenvolvimento de projetos, revisões de scripts operacionais, dimensionamento, implantações de novos clientes e produtos, liderando projetos de eficiência operacional, obtendo ótimos resultados em redução de despesas. Experiência em gestão e gerenciamento de crises nas redes sociais. Planejamento e preparação de treinamentos de atendimento, liderança, gestão e produtos. Ministrou e ministra diversos treinamentos referente aos temas acima citados. Participação na implantação e validação no processo da ISO 9000/9001. Palestrante no CRA-SP – A importância do atendimento ao cliente.

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