O Problema da Falta de Água vai além da Falta de Chuvas!
A escassez de chuvas que estamos enfrentando este ano, é apenas um dos motivos da crise de abastecimento de água no sistema Cantareira, pois de acordo com especialistas em gestão de recursos hídricos, a falta de planejamento de fontes alternativas e de investimento em medidas capazes de amenizar os efeitos da estiagem, também são motivos fortes para este problema.
Além de todos estes motivos, também coloco um outro motivo forte e que quase ninguém comenta, a educação, pois a nossa população não é, e nunca foi educada para cuidar da água, para valorizar a água. Sempre tivemos um alto desperdício em todos os sentidos, seja lavando quintal, carro, louça, tomando banho e etc., a verdade é que as escolas nunca trouxeram este problema para a sala de aula.
Por um lado, a Sabesp nega falta de planejamento e atribui os recordes negativos de abastecimento do sistema a fatores climáticos inéditos nos últimos 84 anos. O sistema Cantareira é responsável pelo abastecimento de cerca de 10 milhões de habitantes da região metropolitana de São Paulo. Talvez este, seja o momento mais delicado da história de toda esta crise de abastecimento, mas houveram outras, que até foram em menores proporções, mas não tiramos nenhum aprendizado delas e nada foi feito, o resultado está aí.
O nível de armazenamento do sistema vem batendo recordes negativos desde o final do ano, até as chuvas que caíram de forma torrencial em São Paulo, causando enormes problemas de alagamentos, quedas de árvores e falta de energia, não foram suficiente para mudar esta difícil realidade, pois no sistema Cantareira choveu muito pouco. O nível chegou a 15,2%, nesta mesma época em 2011, o nível era de 89,3%, em 2012, de 75,5% e no ano passado, de 53,4%. Isso vai de encontro com o que falei acima, os níveis estão caindo ano a ano, e nenhuma providência foi tomada, os indicadores servem para tomarmos decisões através de atitudes, mas infelizmente não pensaram assim.
Segundo o professor Antonio Carlos Zuffo, do Departamento de Recursos Hídricos da UNICAMP, a queda gradual no nível dos reservatórios, registrada desde 2010 com a redução do volume de chuvas, nos mostra o início de um novo ciclo pluviométrico, com potencial para ameaçar o abastecimento pelas próximas décadas.
Ainda segundo Antonio Carlos Zuffo, essa variação de ciclos não foi levada em conta no planejamento hídrico do Estado de São Paulo. De 1930 a 1970, as regiões sul e sudeste viveram um período de baixas precipitações. Mas entre 1970 e 2010, justamente quando o sistema Cantareira entrou em operação, a região passou por um período úmido. “Nossos tomadores de decisão se guiaram pela falsa ilusão de que continuaríamos produzindo água”, diz o professor.
A situação torna-se ainda mais alarmante quando levamos em conta que a região sudeste dispõe apenas de cerca de 6% das reservas de água do País, enquanto reúne em torno de 40% da população, ou seja, esta conta está ficando cada vez mais difícil de se fechar. A população está mais concentrada na região metropolitana, mas os rios da área são de pequeno porte, com exceção do Tietê. Tanto que o sistema Cantareira é formado por cinco reservatórios, três deles localizados na bacia do rio Piracicaba, no interior do Estado.
Desta forma, segundo avaliação de Zuffo, a falta de planeamento do crescimento da região metropolitana de São Paulo, que concentra a maior parte da população do Estado, tem impacto direto sobre o consumo de água do sistema.
Como a cidade de São Paulo recebe em média 200 mil novos moradores por ano, as perdas financeiras provocadas por ligações clandestinas e o avanço da população em direção às cabeceiras dos reservatórios também prejudicam o abastecimento. No ano de 2012, foram perdidos quase 1 trilhão de litros de água devido as ligações clandestinas, conhecidas também como “gatos”, e também com as falhas no sistema de distribuição administrado pela Sabesp, conforme a Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp).
Visando conter as perdas, a Sabesp investe US$ 2,7 bilhões em troca de tubulações, instalação de válvulas redutoras de pressão e substituição de hidrômetros. Outra iniciativa que pode reduzir o desperdício e as perdas financeiras é a medição domiciliar, mas a Sabesp depende de leis municipais para adotá-la.
Outra forma para sanar o problema de abastecimento, seriam os rios Tietê e Pinheiros, mas a falta de saneamento destes rios, inviabiliza totalmente este projeto. Se tivéssemos pensado melhor nisso, e se planejado a pelo menos 30 anos atrás, hoje não estaríamos aqui passando este aperto dramático.
Atualmente, o governo investe também no sistema produtor de água São Lourenço, na região do Vale do Ribeira, com início das operações previsto para 2018. A obra, a primeira desse porte em 20 anos, deve reforçar o abastecimento para cerca de 1,5 milhão de moradores do oeste e sudoeste do Estado e beneficiar condomínios residenciais como Alphaville, Tamboré e Granja Viana.
Precisamos trabalhar rapidamente no planejamento do futuro, futuro este também conhecido como amanhã, pois a questão água, está no gargalo. Precisamos rever também, uma forma de educar rapidamente a população com o intuito de valorizar e saber utilizar corretamente a água. Existe uma necessidade de dar um salto enorme a frente, buscando soluções de curto, médio e longo prazo, parar de apagar incêndios e culpar a natureza pela falta de chuva. Sempre ouvi falar que a natureza precisa ser respeitada, e sempre fiz a minha parte, mas como a maioria não fez, estamos vendo os reflexos, só espero que não seja tarde para salvar as nossas vidas e o planeta, pois o egoísmo e a ganância cegou as pessoas. De que adianta ter muito dinheiro, carros luxuosos, casas luxuosas, se não tem água. Sem água não tem vida, tendo você muito dinheiro ou não.
Você tem feito algo para melhorar esta realidade? Você também acha que a falta de água é somente problema do governo e da natureza? Você acha que não pode ajudar em nada? Sua empresa cria incentivos para economizar água? Sua empresa faz o tratamento da água que é utilizada? Reflitam muito, pois o tema é muito sério, sem água não existe segunda chance. Água, fonte da vida.
Um grande abraço a todos!


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